Existe vida após a morte? No mundo virtual, muitas vezes, é possível dizer que sim. Todos os anos, milhões de contas em redes sociais e outras centenas de serviços online continuam ativas depois que seus donos passam para o outro lado.
Sem os dados que dão acesso às contas, quase sempre protegidas por senhas, amigos e familiares pouco podem fazer para apagar ou cuidar de fotos, mensagens e perfis de alguém que morreu. O resultado são os mais variados infortúnios.
O Facebook avisa sobre aniversários daqueles que já morreram; blogs pessoais continuam recebendo comentários tempos depois de um fim abrupto; o LinkedIn sugere adicionar contatos de gente que já se foi.
Estima-se que cerca de 5,7 milhões de contas do Facebook, a maior rede social do mundo, sejam de pessoas que não estão mais entre os vivos.
Mas há quem enxergue aí boas oportunidades de negócio. Nos últimos cinco anos, pelo menos 40 startups de internet foram criadas para lidar com informações pessoais deixadas por usuários na rede. Uma delas é a Entrustet, com sede em Wisconsin, nos Estados Unidos.
O serviço funciona como uma espécie de cofre digital. Dentro do site, clientes cadastram dados de acesso a suas contas de e-mail ou redes sociais.
No momento do registro, cada cliente tem direito a apontar beneficiários para as informações. Os valores do serviço variam entre 5 e 300 dólares e podem ser pagos através de pacotes mensais, anuais ou por toda a vida.
Quando um cliente morre, seus dados são liberados a seus herdeiros mediante apresentação de alguns documentos, como certidão de óbito. “O mercado está crescendo rápido”, diz Nathan Lustig, cofundador da Entrustet.
“Cada vez mais, as pessoas percebem a importância de se preparar para o inesperado.” Em todo o mundo, a empresa soma hoje mais de 5 000 clientes.
Enquanto essas são soluções para um problema exclusivo do mundo virtual, o mercado do pós-vida digital também se ocupa de reproduzir cerimônias comuns fora da rede. Fundada em 2010, a 1000Memories oferece espaço para criação de uma espécie de santuário virtual.
Em um site, parentes e amigos podem reunir lembranças, álbuns de fotos e depoimentos sobre a vida dos que morreram. O serviçorepresenta um avanço em relação a uma função lançada pelo Facebook em 2009, que permite transformar perfis de mortos em “memoriais”. No final de 2010, a 1000Memories recebeu investimento de 2,5 milhões de dólares do fundo de venture capital Greylock Partners.
Fonte: Exame.com








